terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Só sei que nada sei e foi porque mo disseram


As frases dependem de quem as diz. A mesma frase dita por um magnata da opinião pública, da cultura, ou da mediatice, não tem o mesmo alcance se dita pelo cidadão comum. Por isso, eu, homem comum mas no entanto zé esperto, quando dito alguma sentença, mesmo sendo minha a autoria, cito sempre outrem.
Consoante o ouvinte, pode ser um filósofo grego, um frade luterano, um chefe índio, um músico americano ou até um nome que eu invento em chinês, o importante é que a mensagem fique ou pique o interlocutor.
Sócrates, o nosso, mostrou a careca quando se topou que recorria à fraca habilidade de citar outros sócrates, para passar a ideia que tinha cultura quando por portas abertas qualquer culto percebia que não lia um chavelho, que é como quem diz, lia tanto como Passos Coelho. Mas hoje em dia é assim, é chique publicar uma frase no facebook mesmo que o último livro que se tenha lido tenha sido há uns anos e o autor um sousa tavares ou um rodrigues dos santos.
Eu sei muitas frases porque tinha um avô que também as dizia e tinha uma tia que as costumava dizer, porque o padre Alcobia também disse um dia, e o Zé da Venda sabia das boas.Não sei qual deles disse "só sei que nada sei" e ninguém lhe ligou porque a frase nada tinha de especial porque dita por ele.

O significado da mesma só é levado à grande se mudar a figura que a disse para um grande filósofo ou um político - neste último caso já não interessa se é grande ou pequeno. A frase assim crua e dita, mesmo devidamente referenciada ,"só sei que nada sei", pouco ou nada me diz, mas disse-me um dia em que um filósofo comum, provavelmente depois de ter fumado uma valente cachimbada, lhe acrescentou "...e foi porque mo disseram!".
Portanto, "só sei que nada sei" já muita gente disse sem a ninguém ter ouvido. Mas "só sei que nada sei e foi porque mo disseram" é um frase que nem qualquer um diz mas que um qualquer disse, um homem como eu que, por mais frases que diga, nunca fará história.

Vem isto a propósito das profecias de Passos Coelho e de este ter dito "quase de certeza que haverá uma nova crise".

Uma frase banal que qualquer um diz, uma profecia que qualquer um pode adivinhar ou a implícita mensagem de que já não há crise? Estamos sempre em crise ó batata! A cultura da moda não são os tubérculos, é a cultura da crise

2 comentários:

cid simoes disse...

Não fui eu que disse!

Rogerio G. V. Pereira disse...

É pá, ó meu
esse gajo já morreu
e não passa de um cadáver politico

Fala? Pois!
Passa na imprensa em ventrículo